Agência, tráfego pago, social media ou consultoria: o que sua empresa realmente precisa?

Quatro caminhos de marketing convergem para uma bússola, com o texto: Qual marketing sua empresa realmente precisa?

Quando uma empresa decide investir em marketing, uma das primeiras dúvidas costuma ser sobre quem contratar. Agência de marketing, social media, gestor de tráfego ou consultoria aparecem entre as alternativas mais comuns, e todas podem fazer sentido. O problema é que a escolha frequentemente acontece antes de uma pergunta mais importante: qual problema a empresa realmente precisa resolver?

Essa inversão ajuda a explicar por que tantos empresários acumulam experiências frustrantes com marketing. A empresa contrata um gestor de tráfego porque precisa vender mais, depois percebe que os anúncios não converteram como esperava. Em seguida, aumenta a produção de conteúdo, troca o profissional responsável pelas redes sociais, refaz o site ou procura uma nova agência. Ao longo do processo, diferentes ações são executadas, mas o resultado continua abaixo da expectativa.

Isso não significa necessariamente que os profissionais contratados sejam ruins. Em muitos casos, a questão está na decisão que veio antes da contratação. Quando não existe um diagnóstico claro, a empresa corre o risco de investir em uma solução tecnicamente correta para o problema errado. É por isso que, para mim, a discussão sobre marketing deveria começar menos pela ferramenta e mais pelo diagnóstico do negócio.

O primeiro passo não é escolher um fornecedor, mas entender o problema

Marketing envolve diferentes áreas que estão conectadas. Posicionamento, comunicação, geração de demanda, aquisição de clientes, conversão, experiência, relacionamento e comercial fazem parte de um mesmo sistema. Quando uma dessas partes não funciona, o impacto pode aparecer em outra etapa.

Uma empresa que recebe poucos contatos, por exemplo, pode concluir rapidamente que precisa aumentar o investimento em tráfego pago. Isso pode estar correto, mas também é possível que o verdadeiro problema esteja na oferta, no posicionamento ou na forma como a empresa apresenta seu valor ao mercado. Se mais pessoas chegarem até uma página que não convence ou até uma equipe comercial que não consegue converter as oportunidades, aumentar o volume de tráfego apenas aumentará a quantidade de pessoas passando por uma estrutura que ainda não funciona bem.

O mesmo acontece nas redes sociais. Uma empresa pode acreditar que precisa publicar mais porque seu perfil possui pouco engajamento. Porém, se a comunicação não tem um público definido, os diferenciais são pouco claros e a marca fala praticamente as mesmas coisas que os concorrentes, aumentar a frequência de publicação tende a ampliar um problema de posicionamento que já existia.

A pergunta, portanto, não deveria ser apenas “qual serviço de marketing precisamos contratar?”. Uma pergunta mais útil seria: em que ponto estamos perdendo oportunidades e o que precisa ser corrigido primeiro? A partir dessa resposta, a escolha entre agência, social media, tráfego ou consultoria fica muito mais objetiva.

Quando contratar um social media faz sentido

O social media ocupa uma função importante dentro da comunicação de uma empresa. É o profissional responsável por transformar objetivos de comunicação em uma presença consistente nas redes sociais, trabalhando planejamento de conteúdo, pautas, calendário editorial, publicações e acompanhamento dos canais.

Em estruturas mais completas, esse trabalho pode incluir também redação, design, produção audiovisual e análise de indicadores. O escopo varia bastante, mas existe uma característica comum: o social media está principalmente ligado à execução e à organização da comunicação nas plataformas sociais.

Por isso, sua contratação tende a fazer mais sentido quando a empresa já possui alguma clareza sobre posicionamento, público e proposta de valor, mas encontra dificuldade para transformar essa estratégia em uma rotina consistente de conteúdo.

É diferente de uma empresa que ainda não sabe exatamente o que quer comunicar. Se ela não consegue explicar com clareza por que um cliente deveria escolhê-la, quem deseja atrair ou qual percepção quer construir no mercado, entregar a responsabilidade para um social media não resolve a raiz da questão. O profissional pode aumentar a frequência das publicações e melhorar a apresentação visual, mas continuará trabalhando sobre uma base estratégica pouco definida.

Existe uma diferença importante entre estar presente nas redes sociais e estar bem posicionado no mercado. Presença é frequência e continuidade. Posicionamento é a percepção que a empresa consegue construir na mente das pessoas. Uma coisa contribui para a outra, mas elas não são sinônimos.

Tráfego pago funciona melhor quando existe algo preparado para ser ampliado

O tráfego pago também costuma aparecer entre as primeiras soluções procuradas por empresas que querem crescer. A lógica parece simples: se poucas pessoas conhecem a empresa, basta aumentar o número de pessoas impactadas pelos anúncios.

Em determinadas situações, isso realmente funciona. Uma empresa com uma oferta validada, boa proposta de valor, páginas estruturadas, atendimento eficiente e capacidade comercial pode utilizar mídia paga para acelerar a aquisição de clientes. Nesse cenário, anúncios funcionam como uma forma de ampliar uma estrutura que já consegue transformar atenção em oportunidades comerciais.

A dificuldade aparece quando se espera que o tráfego resolva problemas que existem depois do clique. Imagine uma empresa que anuncia seus serviços e consegue levar centenas de pessoas até uma landing page. A página, porém, explica pouco sobre os diferenciais do negócio. O visitante não entende claramente por que deveria escolher aquela empresa, entra em contato apenas para perguntar preço e recebe uma resposta comercial semelhante à de todos os concorrentes.

O gestor de tráfego pode continuar melhorando segmentação, anúncios e campanhas, mas existe um limite para aquilo que a mídia consegue resolver. Ela consegue levar pessoas até a empresa; não consegue, sozinha, construir uma proposta de valor forte, corrigir um processo comercial deficiente ou criar diferenciação onde ela ainda não existe.

Costumo enxergar o tráfego como um amplificador. Quando existe uma boa estrutura, ele pode ampliar resultados. Quando existem falhas no caminho, também pode ampliar desperdícios.

Uma agência resolve capacidade de execução, mas ainda precisa de direção

A comparação com agência exige um pouco mais de cuidado porque “agência de marketing” não representa uma única especialidade. Existem agências focadas em redes sociais, performance, branding, publicidade, conteúdo, desenvolvimento digital e diversas outras áreas.

De maneira geral, uma agência passa a fazer bastante sentido quando a empresa precisa acessar uma estrutura multidisciplinar que não possui internamente. Em vez de montar uma equipe própria com designer, redator, gestor de tráfego, desenvolvedor e outros especialistas, a empresa pode contratar uma estrutura externa capaz de executar diferentes partes do marketing.

Esse modelo pode ser bastante eficiente, principalmente quando existe clareza sobre o que precisa ser feito. O problema começa quando a contratação da agência é acompanhada por uma expectativa vaga: “quero que vocês cuidem do meu marketing”. A partir daí, começam a surgir posts, campanhas, anúncios, páginas, vídeos e materiais diversos, mas nem sempre existe uma resposta clara sobre quais dessas ações são prioritárias para os objetivos do negócio.

Isso cria uma situação curiosa. A agência pode executar bem tudo aquilo que foi solicitado e, ainda assim, a empresa permanecer insatisfeita com os resultados. Não necessariamente por falha na execução, mas porque execução e direção são problemas diferentes.

Quando a empresa sabe onde quer chegar, conhece seus gargalos e possui prioridades claras, uma boa agência pode ser uma parceira extremamente valiosa. Quando essas respostas ainda não existem, talvez seja necessário resolver primeiro a estratégia que orientará o trabalho.

A consultoria entra quando o problema é falta de clareza

É nesse ponto que uma consultoria de marketing assume uma função diferente das demais alternativas. A principal entrega de uma consultoria não deveria ser quantidade de peças produzidas, número de campanhas ou frequência de publicação. O objetivo é analisar o cenário da empresa, identificar problemas e transformar essa análise em decisões e prioridades.

Isso exige olhar para o marketing de maneira mais ampla. Posicionamento, proposta de valor, público, comunicação, canais, presença digital, aquisição, conversão e relação entre marketing e comercial precisam ser observados em conjunto.

Em alguns casos, a conclusão da consultoria será que a empresa deve investir mais em tráfego. Em outros, a prioridade pode ser contratar alguém para organizar a comunicação nas redes sociais. Pode ser necessário trabalhar o posicionamento da marca, melhorar o processo comercial, reconstruir o site ou estruturar uma oferta mais clara antes de aumentar os investimentos em divulgação.

É justamente essa possibilidade que considero importante. A estratégia não deveria existir para justificar a contratação de mais marketing. Ela deveria existir para ajudar o empresário a descobrir qual investimento faz sentido naquele momento. Em alguns casos, a melhor decisão inclusive pode ser não aumentar o investimento em divulgação até que problemas internos sejam resolvidos.

Estratégia e execução não são concorrentes

Existe uma tendência de colocar essas soluções como se fossem concorrentes entre si. Na prática, elas normalmente funcionam de forma complementar. Uma consultoria pode identificar prioridades e construir a direção estratégica. Uma agência pode transformar essa direção em campanhas, peças e projetos. Um social media pode garantir consistência na comunicação diária. Um gestor de tráfego pode fazer a distribuição das ofertas e aumentar a aquisição.

Cada profissional ocupa uma parte diferente do sistema. O problema aparece quando esperamos que uma dessas partes resolva sozinha todo o marketing da empresa. Um excelente gestor de tráfego não deveria ser responsabilizado por corrigir um posicionamento ruim. Um social media não deveria receber sozinho a responsabilidade de definir a estratégia de crescimento da empresa. Uma agência também precisa de objetivos e prioridades para saber quais entregas realmente merecem atenção.

Essa é uma das principais mudanças de mentalidade que vejo como necessária para o empresário: parar de avaliar o marketing apenas pela quantidade de coisas que estão sendo feitas e começar a avaliar se essas ações estão conectadas aos problemas que precisam ser resolvidos.

Como identificar do que sua empresa precisa

Antes de contratar qualquer solução, eu faria um exercício simples. Em vez de começar olhando para fornecedores, olharia para o caminho que um potencial cliente percorre até comprar da empresa.

Primeiro, ele precisa descobrir que o negócio existe. Depois, precisa compreender o que a empresa oferece, perceber algum motivo para considerá-la, confiar na marca e avançar para uma conversa comercial. A partir daí, o processo de venda precisa ser capaz de transformar interesse em negócio.

Quando poucas pessoas chegam até a empresa, pode existir um problema de alcance ou aquisição. Quando muitas pessoas chegam, mas não demonstram interesse, pode haver um problema de oferta, comunicação ou posicionamento. Quando existem muitos contatos, mas poucas vendas, talvez o gargalo esteja na conversão ou no processo comercial. Quando clientes compram uma única vez e desaparecem, talvez seja necessário olhar para relacionamento, experiência e retenção.

Esse raciocínio ajuda a mudar a forma de contratar marketing. Se o posicionamento está claro e falta consistência na comunicação, um social media pode ser a prioridade. Se a oferta funciona e é necessário aumentar o volume de oportunidades, tráfego pago pode ser um caminho. Se existe estratégia, mas falta capacidade de execução, uma agência pode atender essa necessidade. Se existem diversas ações acontecendo, mas ninguém consegue dizer com segurança o que deveria ser prioridade, uma consultoria ou diagnóstico estratégico provavelmente faz mais sentido.

Não existe uma sequência universal porque empresas estão em momentos diferentes.

O marketing começa a dar errado quando a urgência escolhe a solução

Boa parte das decisões ruins de marketing nasce da urgência. Quando as vendas diminuem, surge a necessidade de fazer alguma coisa rapidamente. A primeira reação pode ser aumentar anúncios, começar a publicar mais, trocar de fornecedor ou lançar uma promoção. Essas ações transmitem a sensação de movimento, o que ajuda a reduzir a ansiedade do momento.

O problema é que movimento não significa necessariamente progresso. Uma empresa pode executar dezenas de ações durante um mês e terminar exatamente com os mesmos gargalos que possuía no início. Quanto maior a pressão por resultado, maior deveria ser a preocupação em entender o problema antes de escolher uma solução.

Essa é uma diferença que considero fundamental entre marketing operacional e marketing estratégico. O operacional pergunta o que precisa ser produzido. O estratégico pergunta primeiro por que aquilo precisa ser feito e qual resultado esperamos gerar. Os dois são necessários. Mas a ordem importa.

Antes de perguntar “quem contratar?”, pergunte “o que precisamos resolver?”

Agência, social media, tráfego pago e consultoria podem gerar resultados excelentes quando entram no momento correto e com uma função clara. O erro está em tratar essas soluções como medicamentos universais para qualquer problema de marketing. Empresas possuem mercados, estruturas, públicos, produtos, processos comerciais e níveis de maturidade diferentes. Seria estranho esperar que todas precisassem exatamente da mesma combinação de serviços.

Por isso, quando um empresário me pergunta o que deveria contratar, minha primeira preocupação não é escolher um fornecedor. É entender o cenário do negócio. Quero saber onde a empresa pretende chegar, como atualmente atrai clientes, o que está funcionando, onde as oportunidades estão sendo perdidas e quais iniciativas já foram tentadas. Só depois dessas respostas começa a fazer sentido discutir ferramentas, canais e fornecedores.

Esse raciocínio representa uma mudança simples, mas importante: deixar de contratar marketing pelo serviço que parece estar faltando e começar a investir a partir do problema que precisa ser resolvido.

No fim, a empresa não precisa necessariamente fazer mais marketing. Precisa entender qual movimento de marketing faz sentido primeiro. Quando essa clareza existe, social media, tráfego, agência e outras ferramentas deixam de funcionar como tentativas isoladas e passam a ocupar seu devido lugar dentro de uma estratégia.

E é justamente aí que, na minha visão, o marketing deixa de ser improviso e começa a ter direção.

José — O Cara do Mkt.