O que agosto me ensinou sobre marketing, posicionamento e crescimento

José em blazer cinza ao lado do título O que agosto me ensinou, sobre marketing, posicionamento e crescimento.

Em agosto, participei de uma mentoria e de três encontros empresariais que me fizeram olhar para além da rotina do marketing. Voltei com ideias sobre posicionamento, relacionamentos e tecnologia — mas, principalmente, com perguntas melhores sobre como uma empresa cresce.

O valor de sair da própria rotina

Quem trabalha com estratégia precisa reservar tempo para observar o que acontece fora da própria operação. Foi com esse espírito que participei da mentoria com Camila Renaux, do 21º Encontro Empreendedor — Edição Floripa, de uma Sessão de Negócios do Club Empreende Brazil e da Resenha Milionária.

Cada encontro tinha uma proposta diferente, mas todos reforçaram algo que vejo no trabalho com empresas: marketing não funciona como uma área isolada. O resultado de uma campanha, por exemplo, depende também da clareza da oferta, da experiência entregue ao cliente e da capacidade comercial do negócio. As reflexões que trouxe de agosto passam por essas conexões.

Na mentoria, a pergunta era sobre direção

Uma mentoria obriga a fazer algo que a rotina muitas vezes adia: colocar o próprio negócio em análise. Na experiência com Camila Renaux, esse exercício me lembrou que estar ocupado não é a mesma coisa que avançar. Quando a agenda está tomada por entregas, reuniões e decisões urgentes, é fácil continuar executando processos que já não correspondem ao momento da empresa.

Ter uma visão externa ajuda a questionar essas escolhas. Antes de investir em uma nova campanha ou acelerar uma operação, vale entender se o objetivo continua fazendo sentido, se a oferta está clara e se o esforço está concentrado no problema certo. Às vezes, o passo mais importante para crescer é revisar a direção antes de aumentar a velocidade.

Levo essa pergunta também para as conversas com clientes: estamos tentando resolver uma dificuldade de comunicação ou existe uma decisão de negócio anterior que ainda não foi tomada? A resposta muda completamente o tipo de estratégia que faz sentido construir.

No Encontro Empreendedor, o aprendizado veio do repertório

O 21º Encontro Empreendedor — Edição Floripa me trouxe outra reflexão. Além do conteúdo apresentado, esses ambientes permitem conhecer histórias e modelos de negócio diferentes dos nossos. Para quem vive cercado pelas referências do próprio setor, esse contato é uma forma de escapar de soluções repetidas.

Vejo um risco em acompanhar apenas pessoas que usam as mesmas ferramentas e falam sobre os mesmos problemas. Aos poucos, práticas que parecem estratégicas podem se tornar apenas o padrão do mercado. Ouvir empresários de outros segmentos amplia as possibilidades: uma forma diferente de vender pode provocar uma revisão da oferta; uma experiência de atendimento pode inspirar mudanças na jornada do cliente.

Repertório, para mim, é um ativo estratégico. Não porque toda conversa precise gerar uma ideia imediata, mas porque boas decisões dependem da capacidade de conectar referências. Quanto mais ampla é essa visão, menor a chance de tratar um problema complexo com uma resposta automática.

Na Sessão de Negócios, a conversa veio antes da venda

A Sessão de Negócios do Club Empreende Brazil reforçou uma distinção importante sobre networking. Trocar contatos pode abrir uma porta, mas construir uma relação exige entender o que a outra pessoa está tentando fazer, em que momento o negócio se encontra e quais desafios ela enfrenta.

Quando a conversa começa apenas pela apresentação de um serviço, a tendência é que todos disputem atenção para vender. Eu prefiro começar pela escuta. Ao compreender melhor o contexto de alguém, consigo perceber se existe espaço para uma parceria, uma indicação, uma oportunidade comercial ou simplesmente uma troca útil para os dois lados.

Isso não torna o networking menos orientado a negócios; torna a relação mais consistente. Negócios continuam sendo feitos entre pessoas, e confiança dificilmente nasce de uma abordagem apressada.

Na Resenha Milionária, tecnologia voltou ao seu lugar

Na Resenha Milionária, as conversas passaram por inteligência artificial, novas tecnologias, comunidades, posicionamento e vendas. São temas que acompanho de perto, especialmente porque novas ferramentas surgem em um ritmo que pode dar a impressão de que precisamos adotar todas elas.

Mas acompanhar uma tendência não significa transformá-la automaticamente em estratégia. Antes de recomendar ou implementar qualquer novidade, procuro entender qual problema ela resolve. Ela melhora a produtividade? Ajuda a tomar decisões? Torna a experiência do cliente melhor? Fortalece a aquisição ou o relacionamento? Se a resposta não é clara, talvez ainda estejamos diante de uma novidade interessante, não de uma prioridade para o negócio.

Tecnologia deve servir à estratégia, não substituí-la. Esse critério ajuda a separar possibilidades reais do entusiasmo momentâneo — e a investir tempo e recursos onde existe potencial de gerar valor.

O aprendizado que trouxe de agosto

Ao reunir essas quatro experiências, percebo que o principal ganho de agosto não foi descobrir uma fórmula nova. Foi voltar à rotina com mais perspectiva para avaliar decisões que, no dia a dia, podem passar despercebidas. Crescimento envolve marketing, mas também passa por posicionamento, vendas, processos, relacionamento e pelas escolhas que conectam tudo isso.

É esse olhar que busco levar para o meu trabalho. Antes de perguntar o que uma empresa precisa fazer a mais, quero entender o que ela precisa enxergar melhor: onde está, o que trava seu crescimento e qual movimento faz sentido agora. Para um empresário, sair da rotina e confrontar as próprias escolhas pode ser tão valioso quanto aprender uma nova ferramenta.

Menos improviso. Mais direção.

— José, O Cara do Mkt.